{PERSONA} A música independente de Babalé

 


Por Lorena Porto, contato@culturasss.com.br

As letras enigmáticas e a sonoridade experimental das composições de Babalé dão o tom dessa edição da coluna #Persona. A artista participou recentemente da noite de estreia do MUSA - Festival de Artes Integradas para Mulheres de Feira de Santana, projeto realizado pelo Culturasss com ampla programação artística e formativa.

Clique aqui e confira o vídeo dessa participação.

A música contemporânea de Babalé mistura elementos da música tradicional da sua região de origem com o rock, jazz, reggae e outras experimentações. As letras frequentemente apresentam um universo profundo e enigmático, por vezes difíceis de se revelar logo na primeira audição.

Cantora e compositora natural de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina (BA), Babalé vive em Feira de Santana desde 2015. Iniciou seu trabalho musical ainda criança, quando gravou uma faixa para o álbum "Pra Chorar de Rir", de Chico Leite, seu pai. Ao longo da sua infância e adolescência fez participações pontuais em trabalhos de amigos artistas e participou de festivais de música pelo interior da Bahia. Mas é após o seu ingresso no curso de Música Popular da Universidade Federal da Bahia que Babalé assume profissionalmente a sua atividade artística. 

Em 2015, entrou no estúdio para gravar pela primeira vez suas músicas de própria autoria, o que resulta na demotape "Euphonia", disponível no seu canal do Youtube. Em maio de 2020, lançou seu primeiro EP "Fresta", com 4 composições suas. Em dezembro, lançou o single "Agora eu era" e em fevereiro de 2021 lançou "Bom pra nós dois", todos disponíveis nas plataformas virtuais de música. 

Para o Culturasss, Babalé falou sobre o cenário da música independente na Bahia, a maneira como lidou com a pandemia e de como pretende seguir seu 2021. 

CULTURASSS: como você avalia o cenário da música independente na Bahia e, especificamente, em Feira de Santana, cidade onde atua?

BABALÉ: eu vejo com bons olhos, sabe?! Eu sei que, historicamente, o trabalho artístico é sofrido porque para tudo a gente precisa de apoio, financiamento, patrocínio... mas como meu pai é artista também e eu cresci vendo ele passar por várias dificuldades na profissão, eu percebo que hoje está muito mais acessível, para quem é artista, evoluir de alguma forma. Você tem as redes sociais e tantas ferramentas na internet que colocam o poder, de certa forma, na mão do artista. A gente sabe que precisa de mais do que isso para chegar em algum lugar de fato, mas em comparação a tudo que eu vi na minha infância, no tempo das grandes gravadoras, no que meu pai viveu, eu vejo que os artistas independentes hoje estão conseguindo muito mais projeção do que antigamente.

Em Feira, da mesma forma. Tem muito artista na cidade, meu Deus do céu. Parece que todo mundo aqui é artista. Sei que tem também essa questão da gente viver numa bolha, mas pra mim chega muito. Eu tenho certeza de que falta muito mais oportunidades, ainda mais nesse desgoverno que a gente vive, mas é mais possível do que algum tempo atrás.

CULTURASSS: de que maneira você, como artista independente, se relacionou com as demandas da pandemia?

BABALÉ: minha carreira como artista independente eu posso dizer que praticamente começou na pandemia. Eu não me lembro da primeira música que compus, o que eu sei é que eu faço isso desde muito pequena. Mas foi na pandemia que eu me vi diante do desejo de assumir a música como carreira. Eu estudo música na UFBA e no início da pandemia conversei com minha família que estava saindo do serviço público para me dedicar à música.

Eu reconheço que, tendo o privilégio de ter um estúdio em casa, ficou mais fácil começar. Eu gravei e lancei meu primeiro EP "Fresta" no início de 2020. Então, eu diria que, pra mim, apesar de tudo que está acontecendo, de todas as dificuldades, de tudo que os artistas estão precisando fazer para se reinventar e resistir a tudo, eu posso dizer que tá sendo um bom começo. Mas só vou poder partir para o próximo nível de fazer shows com público, quando a pandemia passar. Como artista, eu não tenho nenhuma experiência fora da pandemia. Tudo pra mim está começando agora e de uma forma muito boa, apesar desse contexto tão triste.

CULTURASSS: quais são os seus projetos pra seguir 2021?

BABALÉ: ano passado eu planejei para esse ano sair e fazer show. Mas como nós não sabemos quando tudo isso vai passar, eu vou seguir 2021 estudando, compondo, mesmo tendo que conviver com os obstáculos da ansiedade que me atrapalham um pouco, não consigo me concentrar direito trancada em casa... Mas vou continuar fazendo música, explorar o privilégio que eu tenho de ter o estúdio em casa, participar de projetos e parcerias que estão me chegando. Vou tocar os próximos dias assim, construindo uma base pra minha carreira que começou nesse contexto complicado, para eu já ter um substrato mais sólido para sair, fazer shows e seguir com a música.



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