Com homenagem à herança feminina, espetáculo 'Golpes no Ventre' reestreia no mês da mulher


A linha tênue entre a vida e a morte, cercada de incertezas, é abordada em “Golpes no Ventre”, primeiro solo da atriz Jane Santa Cruz (“Frida Kahlo”, “Sobre a Pele”), com texto e direção de Fernando Santana. O espetáculo retrata a história de Bárbara, uma mulher negra que está dentro do útero, na indecisão de nascer diante das histórias que a mãe lhe conta durante a gestação. 

A peça teatral entra em cartaz no mês da mulher, de 8 a 30 de março, sempre às segundas e terças-feiras, às 19h, exclusivamente por meio de plataformas virtuais. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) e podem ser adquiridos aqui. A classificação indicativa é 14 anos.

Com os teatros fechados por consequência da pandemia pelo novo coronavírus, "Golpes no Ventre" será encenado na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, sem a presença de público, e transmitido pela internet. Todas as apresentações contarão com tradução simultânea em libras e audiodescrição.

Vítima de um estupro, a mãe de Bárbara – que é interpretada pelas vozes em off da atriz Zezé Motta e da Yalorixá Alda Vieira – lhe relata conquistas e perdas dela e também de ancestrais. Traçando um paralelo direto com as religiões de matriz africana, o espetáculo explora a relação de Bárbara com as divindades Iorubanas como Yansã (responsável por conduzir os espíritos ao Òrun após a morte) e Oxum (responsável pela fecundação e fertilidade). A narrativa ultrapassa a ficção e denuncia mazelas do sistema patriarcal que marcam, humilham, violam e matam mulheres por todo o país.

A peça também faz uma grande homenagem às icônicas figuras femininas que já atravessaram e seguem em nossos dias, a exemplo da professora Lélia Gonzalez, Mãe Stella de Oxóssi, Mãe Alda de Oyá e a atriz Zezé Motta.

Além das apresentações, a temporada irá contar com três lives abertas ao público com a participação da equipe e de reconhecidas artistas negras. Também haverá difusão de depoimentos de mulheres baianas que superaram barreiras impostas pela sociedade, disponibilizadas nas redes sociais do espetáculo.

Essa será a segunda temporada de “Golpes no Ventre” em Salvador. O Espetáculo teve sua estreia no Teatro Martim Gonçalves, em outubro de 2019. Logo depois, em novembro do mesmo ano, fez sua estreia internacional, em San José, na Costa Rica. Em 2020, a peça seguiria em circulação com apresentações no Peru, além da participação em festivais no Brasil, entretanto, assim como em muitos projetos, o cronograma foi interrompido pela pandemia.

“Golpes no Ventre” é um dos vencedores do Prêmio das Artes Jorge Portugal, que integra o Programa Aldir Blanc Bahia (PABB), criado com o objetivo de apoiar o setor cultural, afetado pela pandemia. O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia, via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, do Governo Federal.

Cronograma de Lives

7 de março. Live com Zezé Motta sobre sexismo e herança feminina negra.

14 de março. Caminhos da Criação: transmissão de encontro da equipe do espetáculo que irá tratar da adaptação do/da artista a esta nova condição e compartilhar alguns dispositivos de criação que alicerçam seus trabalhos.

21 de março. Mulheres que ressignificam: transmissão com a participação de mulheres que compartilharam depoimentos na plataforma do projeto através de vídeos

Corpo técnico

Atuação | Jane Santa Cruz

Texto e Direção | Fernando Santana

Produção | Jane Santa Cruz e Robinson Fernandes

Intérprete de Libras | Emanuelle Ressurreição

Audiodescrição | Daiane Pina

Direção Musical | Roquildes Junior e Fernando Santana

Iluminação | Luiz Guimarães e Fernando Santana

Fotografia e Captação de Imagens | Diney Araújo e Ingrid Lago

Serviço

O QUÊ? Espetáculo teatral “Golpes no Ventre”, texto e direção de Fernando Santana.

ONDE? Plataformas digitais

QUANDO? 8 a 30 de março, às segundas e terças-feiras, 19h

Ingresso por R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia) pela plataforma Sympla.

Classificação indicativa: 14 anos


Redação | ASCOM

Fotos | Diney Araújo


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