Lerry e Banana Atômica querem exportar a música de Feira de Santana (BA) para o Brasil

 


“A música baiana não é só de Salvador”, quem disse isso foi o DJ de Feira de Santana, Lerry, cidade que fica no interior da Bahia e que revelou nomes como Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem e o pai do axé, Luiz Caldas. Com esses dois exemplos já é possível identificar que Feira tem muito mais o que apresentar. E é com a coletânea de remixes chamada “FêraBeat” que Lerry quer mostrar as diferentes vertentes musicais que vivem na cidade. A coletânea é lançada pelo selo Banana Atômica, que trabalha apenas com artistas feirenses.

Com sete músicas que percorrem o que Lerry chama de pagotrance, arrochadelic e grave brasileiro, que nada mais são do que misturas do pagodão baiano com o psytrance indiano, o arrocha com o psychedelic e o grave eletrônico com ritmos brasileiros, respectivamente, a coletânea, “FêraBeat” apresenta músicas para dançar na pista. Com destaque para o grupo Africania, que tem duas músicas remixadas e uma de Bel da Bonita, que é o fundador da banda e aparece em três faixas: “Rainha dos 9 Céus”, “Xangô de Fogo” e “Borboletinhas de Oyá”. O grupo Africania formado em 2006 se empenha na mistura da música afro-brasileira e nordestina.

“Bel da Bonita é um artista feirense excepcional com uma longa história na música, a mente criativa por trás do grupo Africania e também tem esse apelido de ‘Caverna’. Fiz essa homenagem ao Caverna por enxergá-lo como uma das principais mentes da cultura feirense, por ser um grande fã de sua genialidade e musicalidade, me sinto um como discípulo desse grande artista”, conta Lerry.

Portanto, encontramos na coletânea, artistas consagrados em Feira de Santana, como Bel e a Africania ou Uyatã Rayra & A Ira de Rá, banda formada em 2012, até bandas mais novas na cena feirense como o Comida de Foguete, que faz parte do casting do selo Banana Atômica e tem apenas um ano de vida.

“Escolhi artistas que tenho admiração, mas que também tinha aproximação. Artistas com que já trabalhei. Algumas músicas eu mesmo tinha produzido e/ou gravado a versão original, outras o próprio artista mandou as pistas da música e pediu um remix! Busquei também abranger a diversidade artística da nossa cidade trabalhando com gerações diversas, estilos e personalidades diferentes”, explica Lerry.

Lerry também aproveitou o lançamento para apresentar a inédita “Sangue na Taça”, do Coletividade Molot, coletivo LGBTQIA+  que durou apenas dois anos em atividade em Feira de Santana e teve em sua formação a artista trans Vivian Maria, as travestis Yumê e Vinicius  Moreira. Entre os mais modernos, “Fight to Forget” do grupo de rock alternativo, Iorigun, pode virar um hit, pois pode agradar os ouvidos de quem gosta de bandas como Disclosure, The XX ou Jungle. Mas, claro, com um “toque Lerry” de ser.

Todas as músicas foram produzidas no home estúdio pelo próprio Lerry quando ainda morava em São Paulo, apenas na versão de “Borboletinhas de Oyá”, contou com a colaboração dos DJs Puri e Andurá. A capa é criação do artista Don Guto, que já trabalhou com os artistas Uyatã Rayra e a Ira de Rá, Africania, que estão na coletânea e também assina o primeiro álbum de Lerry, "Tabatenu” (2017).

“FêraBeat” já está disponível em todas as plataformas digitais e é uma parceria entre Lerry e o selo Banana Atômica e faz parte da “Mostra da Diversidade Cultural Imagens da Cultura Popular” patrocinada pela Belgo Bekaert Arames.

“Lerry é um artista extremamente criativo e tem um estilo bem peculiar de fazer música e está inserido nesse movimento baiano chamado Bahia Bass que mistura músicas baianas como pagodão, arrocha, entre outros estilos, com a música feita na Jamaica e os beats eletrônicos. A ideia do disco é sensacional e reforça muito tudo que a Banana Atômica acredita que é a música produzida em Feira de Santana que é rica, diversa e poderosa”, revela Joilson Santos, criador do selo.

E Lerry emenda: “Optei pela parceria com o Banana Atômica, porque eles são responsáveis pelas maiores e melhores produções artísticas da cidade, além de contarem com uma equipe fantástica especializada em music bussines! São linkados com os produtores dos grandes festivais e redes de música do Brasil e foram super respeitosos e atenciosos. Sempre me preocupei em levar o nome de artistas de minha cidade para o público no Sudeste, é triste quando acham que a Bahia é só Salvador, o interior vive e pulsa cultura! A maioria as músicas fiz tudo sozinho por conta da pandemia e de se tratar de uma iniciativa pioneira, muitas vezes até criticada por quem subestima o poder do nome FEIRA de SANTANA”.

 

Mais sobre Lerry

LERRY é natural de Feira de Santana (Bahia, Brasil). Começou sua trajetória como DJ em 2013, inicialmente na música eletrônica Psytrance. Incorporando às suas experiências sonoras, os beats e reinvenções da música africana em diáspora e a swingueira periférica dos paredões baianos, em 2017, lançou seu primeiro álbum, intitulado “Tabatenu”, com destaque para a faixa “#Pagotrance”, nome que também batiza a vertente musical criada pelo artista ao unir o Pagodão baiano com o Goatrance indiano. Produziu o disco “Os Tabaréu Moderno” com grupo RoçaSound, eleito pela crítica, como um dos 10 melhores discos baianos de 2019. Fixou-se temporariamente em São Paulo onde foi residente em festas de destaque, como DoceBahia (Estúdio Bixiga) e Maraca Funk (NossaCasa), além de ter passado pela Pilantangi. Retornando a Feira de Santana, lançou o single "Aquela Saudade" com o grupo potiguar Luísa e os Alquimistas, que ultrapassou os 100 mil plays nas plataformas de streaming.

Mais sobre Banana Atômica

Nascido em janeiro de 2019, o Banana Atômica é um selo e por vezes produtora sediada em Feira de Santana (BA) e encabeçada por Joilson Santos. Joilson já tem mais de dez anos de carreira e é um importante produtor na cidade, sendo o criador do festival Feira Noise, além de shows e eventos que movimentam a cena no local. O selo busca abrir espaço para artistas em começo de carreira, no intuito de impulsioná-los e levar o nome de Feira de Santana para mais longe do que só as linhas do estado da Bahia. O nome Banana Atômica veio justamente da cantautora Isa Roth, que imaginou a música como algo que contagia as pessoas e se espalha entre elas. A banana é a única fruta radioativa que temos na nossa dieta e o átomo é a elemento mais importante de uma radiação. A ideia do Banana é levar a música para outros níveis, pois o Banana Atômica é feito de música.

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    Alessandra Braz
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