Feirense sofre com a distância da filha que vive no Canadá há quase 7 anos sem sua autorização

Uma mãe vive um drama familiar, cuja história parece um enredo de filme de ficção. Sua filha, de 11 anos vive no Canadá com o seu pai biológico há quase 7 anos, sem a sua autorização legal.


Suzane Nascimento foi casada com um peruano com quem teve Anny Beatriz. Eles viveram no Peru por alguns anos, mas com a separação, ela voltou a viver no Brasil. Quando Anny tinha 5 anos de idade, o pai manifestou o desejo de levá-la ao Canadá por três meses. Suzane permitiu e viabilizou a autorização de viagem, assinando um documento emitido pelo Ministério das relações Exteriores. Eles embarcaram em novembro de 2013, mas o documento determinava a volta da criança em fevereiro de 2014, no entanto, ele nunca trouxe a criança de volta. Veja o documento abaixo, que teve os dados pessoais das partes preservados.



Suzane conta que hoje, a criança só fala inglês e apesar de manter contato com a filha por telefone e vídeo chamada, é o pai quem traduz a conversa, já que ela não domina o idioma.
“Eu não faço contato diário com a minha filha por que existe esta barreira entre mim e ela, mas nos falamos com frequência. Nós não temos nenhum momento a sós e ele traduz o que falo do jeito que ele quer. Tudo o que eu sei sobre ela, é ele quem me diz. Ele não aceita nenhuma interferência ou sugestão minha sobre a criação da minha própria filha. Ele diz que ela tem uma mãe lá”.


O ex-marido afirmou a Suzane que sua atual esposa possui a guarda de Anny no país. Depois que o prazo para devolver a criança ao brasil venceu, o pai biológico acionou a justiça canadense para solicitar a guarda permanente. Dois anos depois, Suzane recebeu de um amigo do seu ex, que mora em Feira de Santana, um documento todo escrito em inglês, sem carimbo ou assinatura, onde consta que ela teria 365 dias após a data da emissão do documento para apresentar uma defesa às alegações do pai da criança, que afirmou que Suzane era alcoólatra, usava drogas e se prostituía. A tradução de um trecho do documento diz que “sem comida, mãe levava para festa com álcool e drogas, problemas médicos não tratados, local inseguro para viver sem dinheiro ou trabalho. Mãe trabalha com prostituição”.




Quando Suzane recebeu o documento, o prazo para apresentar a defesa já havia vencido há um ano, por isso, ela não pôde recorrer. Seu ex-marido procurou uma líder religiosa da igreja que Suzane frequentava, em Feira de Santana, para garantir que ela assinasse o documento, para provar ao juiz canadense que o houve o recebimento do mesmo, mas que, só chegasse até Suzane, depois de um ano, para não dar tempo de apresentar defesa. A mulher teria negado o favor, ele então procurou um homem, também frequentador da igreja que concordou e assim o fez.
Suzane nega que já tenha tido problemas com álcool, drogas ou prostituição e disse que quando perguntou ao pai da sua filha o motivo de ele ter feito acusações falsas contra ela, ele afirmou ter sido o único jeito de garantir que sua filha permanecesse ao seu lado. Ela acredita que a atitude do ex-marido é em retaliação ao fim do casamento.


“Nosso casamento acabou, pois não havia mais sentimento da minha parte e sempre que eu imploro para que a minha filha volte para mim, ele diz que hoje eu sofro o que ele sofreu com a separação. Ele diz que não vai trazê-la de volta, porque acha o Brasil um país perigoso, que eu não tenho condições de dar a vida que ele dá a ela e que a esposa dele cuida bem dela e ela se sente bem lá”.


Suzane buscou orientação jurídica, mas nunca conseguiu intervir, pois não consegue meios de se comunicar com a embaixada. Ela chegou a pedir ajuda à Polícia Federal, que, através da Autoridade Central Federal (ACAF), informou que o ideal é que ela vá ao Canadá procurar ajuda da embaixada no país e contratar um advogado lá. Acontece que o custo disso é muito alto e ela não tem condições de arcar nem mesmo com a viagem para lá.


“Para entrar no Canadá como visitante, é necessário comprovar ter, pelo menos, 10 mil dólares. Eu, além de não ter este dinheiro, tenho muito medo de ir sozinha e acontecer algo comigo ou de ele fugir com a minha filha”.


A advogada Camila Trabuco, orienta que Suzane busque o quanto antes acompanhamento jurídico. Para ela, o caso é bastante complexo pelo fato de não ter certeza de quais artifícios o pai biológico usou. Segundo ela, não dá para dizer que é um sequestrou ou uma conduta ilegal, sem ver o documento que ele conseguiu para viver legalmente com Anny no Canadá. 


“Como pai, ele tem responsabilidade legal sob a filha. Como a mãe não apresentou defesa a tempo, é possível que a justiça do país tenha tornado legal a guarda paterna. É possível solicitar pela justiça brasileira a busca e apreensão de menor, e a través de uma carta rogatória, que é um documento emitido no Brasil, solicitar a intimação do pai, no entanto, como, ela já está há muito anos residindo em outro país, o juiz brasileiro, pode entender que não tem competência para julgar o caso. Isso pode ser uma barreira jurídica”.


Suzane contou que decidiu tornar a história pública somente agora porque tomou coragem para lutar por sua filha. Seu objetivo é tentar fazer sua situação chegar às autoridades nacionais, a fim de buscar ajuda. Até aqui, ela não acionou a justiça por medo de perder o contato definitivo com sua filha, já que o ex-marido controla os acessos da criança ao celular e media a conversa entre elas.


Na semana passada, ela publicou um vídeo com sua história nas redes sociais, relatando a dor que sente em estar longe da sua filha. Seu ex-marido teve acesso ao vídeo, que não tem nenhum detalhe trazido aqui nesta reportagem e convenceu a criança que sua mãe estava tentando prejudicar o seu pai. Numa chamada de vídeo, a criança se mostrou muito nervosa e chateada com a mãe e disse não querer mais falar com ela.


Veja o vídeo:
https://www.instagram.com/p/CEsQXNvBqXR/

Suzane diz que seu maior desejo é ver e abraçar sua filha que foi arrancada injustamente da sua convivência.


Por Dandara Barreto


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