Feira de Santana amanhece sem liderança na Secretaria de Cultura e preocupa agentes do setor


O governo municipal de Feira de Santana (BA), na madrugada desta terça-feira (14), exonerou Edson Borges do cargo de Secretário Municipal de Cultura Esporte e Lazer (SECEL) para levá-lo à Secretaria de Comunicação onde substitui Valdomiro Silva. A notícia preocupou agentes de cultura há semanas mobilizados e em preparação para que os R$ 3,79 milhões que virão para a cidade pela Lei de Emergência Cultural Nº 14.017 de 29 de junho de 2020 sejam aplicados de forma ampla e democrática.

"A SECEL nunca teve em sua agenda políticas públicas para o setor. Na ausência dos eventos, não tinha muito o que fazer. No momento em que, por força de Lei Aldir Blanc, seria obrigada não só a tocar uma política pública, mas também fazer o sistema municipal de cultura finalmente funcionar, aparece essa notícia. Lamentável", declara Joilson Santos, músico e produtor cultural, em uma rede social.  

Os agentes do Fórum Permanente de Cultura de Feira se posicionaram sobre o fato através de suas redes sociais e se disseram surpresos. "O momento é extremamente delicado". O recurso já foi liberado pelo governo federal e todo o setor está na expectativa de que a regulamentação da Lei seja anunciada a qualquer momento. 

"Ficar sem secretário de cultura neste momento põe em risco a execução de uma lei, aprovada em caráter de emergência, que além de ser uma vitória para o setor cultural é também a possibilidade de amenizar os impactos gigantescos causados pela pandemia", diz a nota que também questiona o prefeito Colbert Martins sobre quem ocupará o cargo e afirma a necessidade dessa pessoa ser um gestor que conheça a realidade da cultura de Feira. "Cultura é trabalho. É o sustento de milhares de pessoas que estão sem fonte de renda desde março"


Nos últimos dias, o Fórum Permanente de Cultura fez algumas tentativas de contato com a Secretaria de Cultura para discutir a aplicação da Lei no município. Foi protocolado um ofício às 13h da segunda-feira (13), convocando o então secretário Edson Borges para dois importantes encontros: um para tratar da formação do Comitê Gestor que atuará na implementação da Lei, inclusive, com indicação coletiva de nomes para representar a sociedade civil; e o outro encontro em uma live promovida pelo Fórum onde a sociedade poderia tirar dúvidas sobre esse assunto. Agora, sem retorno a esses contatos e sem liderança na SECEL, agentes de cultura seguem mobilizados de forma coletiva enquanto aguardam um posicionamento do governo municipal.

Foto | Joilson Miranda

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