SecultBA fortalece as Culturas Populares e Identitárias em 2019


Em 2019, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) fortaleceu ainda mais suas ações na área de Culturas Populares e Identitárias, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI). O Centro, que é  responsável pela execução, proteção e promoção das políticas públicas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, atuou contemplando desde a cultura do sertão e de matrizes africanas, até as comunidades ciganas e indígenas, LGBTQI+, infância e idosos. Além disso, o CCPI coordenou o projeto Pelô da Bahia, incrementando a programação artística dos largos do Pelourinho e suas grandes festas populares.

O Carnaval da Cultura foi o pontapé do calendário de ações. Com o tema “O Mundo se Une Aqui”, o Carnaval da Bahia, que neste ano aconteceu de 28 de fevereiro a 05 de março, se destacou por seu caráter democrático e diverso. Isso pôde ser visto através da folia do samba, das batidas dos blocos afro, do balanço do reggae e do toque dos afoxés, de todas as manifestações que compõem o Carnaval da Cultura.

Uma rainha africana veio para o Carnaval da Bahia. Não, não era uma fantasia de carnaval, mas sim a mais alta representação da República Democrática do Congo, a rainha Diambi Kabatusuila que saiu de Kinshasa, capital e maior cidade do país onde reina e veio participar da festa junto ao afoxé Filhos do Congo, que comemora 40 anos. Este é um exemplo da força e da beleza com o qual desfilaram as dezenas de blocos e agremiações que contaram com apoio do Edital Carnaval Ouro Negro 2019, promovido pelo Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura, para os blocos afro, de samba, de reggae, de índio e afoxés.

Para vários blocos afro, afoxé e de samba contemplados pelo programa, 2019 foi um ano emblemático. O afoxé Filhos de Gandhy completou 70 anos mantendo a tradição de ser o tapete branco da avenida, trazendo ouro para a folia e fazendo homenagem a Tempo, entidade que rege o caminhar, as decisões e os destinos das pessoas. Mais Belo dos Belos, o Ilê Aiyê festejou 45 anos exaltando a importância das canções criadas por compositores baianos para o bloco, com o tema “Que Bloco é Esse?”, em referência à música composta por Paulinho Camafeu, em 1975. Diretamente do coração do Pelô, “As Duas Histórias – O Perfume das Rosas e Olodum” foi o tema da comemoração dos 40 anos do Olodum. O Alerta Geral, a Didá e A Mulherada também tiveram datas importantes, os três blocos fizeram 25 anos em desfiles cheios de vida, cor, dança, percussão e samba.

Também integrando o Carnaval da Cultura, o Carnaval do Pelô somou, ao longo de cinco dias de festa, aproximadamente 400 horas de apresentações musicais e performances entre as 130 atrações que movimentaram os palcos e ruas do Centro Histórico A programação atraiu milhares de foliões. Entre cantores, músicos e performers, foram cerca de 1.100 artistas envolvidos para fazer a folia acontecer, entre estes, aproximadamente 400 artistas de rua, que fincam no Pelourinho a sua tradição.

Orquestras, bailes infantis e atrações do estilos samba, axé, reggae, hip-hop, antigos carnavais, guitarra baiana e arrocha, também selecionadas via chamamento público, movimentaram os cinco dias de folia nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro d’Água. O fortalecimento da cultura hip-hop foi uma característica marcante desta edição do Carnaval do Pelô. Para completar, o carnaval dos microtrios e nanotrios passou a ocupar de vez o Pelourinho, com 10 apresentações no Terreiro de Jesus, apostando em repertórios de clássicos do carnaval, aspectos cênicos e muita animação.

Culturas indígena e cigana – As culturas indígena e cigana estiveram no centro das atenções com a realização de várias atividades na sede do CCPI, no Pelourinho, seguindo o calendário das datas comemorativas. A exposição ‘Cultura Indígena em Foco’, em abril, levou a diversidade da arte indígena produzida na Bahia através de workshops, palestras, rodas de conversa, artesanato e aulas de culinária. A mostra trouxe como convidados representantes dos municípios de Itabela, Lauro de Freitas, Paulo Afonso, Ilhéus e de Coroa Vermelha, no Extremo Sul. O evento teve como objetivo valorizar a influência da cultura indígena através da literatura, culinária, música e artes.

Para fomentar e fortalecer a cultura do povo Cigano, a SecultBA também realizou em maio, no CCPI, o debate “Cultura Cigana em Foco” em comemoração ao Dia Nacional do Cigano (24/05). O encontro contou com roda de conversa, que reuniu Gilson Dantas e Lêda Oliveira, lideranças calons, com mediação da coordenadora de culturas populares e identitárias do Centro, Cassi Coutinho (Doutora em História Social, pesquisadora do tema cigano), além de exposição e visita a bairro cigano no município de Camaçari, a 48 km de Salvador, onde também aconteceu uma roda de conversa.

Encerrando o primeiro semestre, como modo de reforçar a valorização das manifestações populares e de identidade da Bahia, o Centro, que já exercia função administrativa, em junho, virou Equipamento Cultural e foi aberto para visitação das suas salas de leitura, contando ainda com a exibição de vídeos e exposição, além de oferecer ao público um salão multiuso, setor e quintal educativos.

Todo acervo da Sala de Leitura foi organizado com base na cultura popular e identitária, tendo o apoio da Fundação Pedro Calmon, órgão da SecultBA. A Sala de Audiovisual passou a exibir vídeos da cultura popular. Já o Setor Educativo passou a fazer visitas guiadas no quintal, que vem com uma sinalização de todas as plantas e árvores existentes com nomes populares e científicos. Além destes espaços, toda a casa foi inaugurada com uma sinalização em homenagem a pessoas e grupos da cultura popular. Há ainda um Salão Multiuso e uma Sala de Exposição aberta para a realização de diversas mostras artísticas e culturais.

22ª Caminhada Azoany –
 Com o apoio do CCPI, aconteceu no dia 16 de agosto, no Pelourinho, a 22ª Caminhada Azoany. O projeto faz parte da Rota Ancestral de Salvador, que objetiva somar esforços nas lutas contra a Intolerância Religiosa, preservação do Patrimônio Imaterial, integração das mulheres e homens de axé e fortalecimento das heranças africanas. A temática deste ano foi “Cultura e fé: Azoany orixá e inkise na defesa do povo de Santo”.

DiverCIDADE no Pelô -
 LGBTQI+ em Foco - Com a proposta de trazer uma programação para debater o tema diversidade, aconteceu no Centro Histórico o projeto diverCIDADE no Pelô - LGBTQI+ em Foco. Parceria do CCPI com o site Dois Terços, o evento, que ocorreu em setembro, no mês da Parada do Orgulho LGBTQI+ de Salvador, teve como objetivo dar visibilidade à causa, estreitando os laços entre arte e cidadania. As atividades abrangeram performances artísticas com música, dança, exposição, moda, poesia, palestras, debates e intervenções de rua com a temática, buscando por meio da arte a quebra de preconceitos e a sensibilização da sociedade sobre os direitos da comunidade.

Festas populares - Em 04 de dezembro de 2019, a Bahia celebrou a Padroeira dos Bombeiros e dos Mercados, aquela que protege os seus fiéis em meio às grandes tempestades: Santa Bárbara. A festa, que é Patrimônio Imaterial da Bahia por simbolizar a cultura e costumes do povo que manteve viva essa tradição secular, foi comemorada no Centro Histórico de Salvador, em momento de grande devoção. Todos os anos, mais de 10 mil fiéis se reúnem no Largo do Pelourinho, criando um cenário onde o vermelho e branco imperam.

Com realização da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e SecultBA, a edição de 2019 manteve o legado e força da Festa de Santa Bárbara. Além da celebração religiosa, também aconteceram atrações de samba no segundo momento da programação, já características da ocasião. A data abriu o calendário de festas populares no estado.

Casa de Cultura dos Idosos –  A SecultBA, por meio do CCPI, promoveu também no dia 4 de dezembro, a entrega da Casa de Cultura dos Idosos, localizada num imóvel no Largo Quincas Berro d’Água, que passou por requalificação através de parceria com a CONDER e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural. A Casa de Cultura dos Idosos é mais um espaço administrado pelo CCPI no Pelourinho, sendo o Centro já responsável pela dinamização cultural dos largos. O espaço vai oferecer oficinas de dança, teatro e artesanato para idosos, além de proporcionar a participação em manifestações populares, como o Terno de Reis e o Samba de Roda. Propostas de atividades a serem desenvolvidas na Casa de Cultura dos Idosos podem ser apresentadas ao CCPI.


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