Ekedy Sinhá produz livro sobre roupas de axé em residência artística no Instituto Sacatar


“Meu desejo ao concorrer o edital era de respirar e criar num espaço em que água e natureza me ajudassem na escrita”, explica Gersonice Azevedo Brandão, referenciada na Bahia como Ekedy Sinhá. A sacerdotisa foi selecionada com o projeto “Asó Orixá: No corpo também se lê”, na Residência Artística para Escritores, uma realização Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), órgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através de sua coordenação de literatura, em parceria com o Instituto Sacatar.

No candomblé, ekedy é um cargo feminino relacionado ao cuidado da comunidade religiosa. É a partir desta experiência que o livro objetiva reunir reflexões sobre a religião e como ela sustenta os adeptos. A ideia está sendo maturada há algum tempo, desde que a Ekedy Sinhá se tornou presidente do Espaço Cultural do Terreiro da Casa Branca, ao suceder sua mãe.

“É algo que já faço há mais de 10 anos, ensinando a confecção de roupas da tradição”, explica a sacerdotisa. O espaço que ela preside oferece semestralmente cursos para cerca de 200 pessoas, em sua maioria mulheres, que produzem as confecções dos modelos comumente utilizados na religião.

Bordados, rechilieu e bainha aberta são alguns pontos que tecem a história ancestral e serão expostos pela ekedy. Ela parte de três princípios: as roupas de hierarquia, o branco como cor fundamental e o morim como tecido suporte das roupas de axé. Além disso, a ekedy descreve os modelos e quais contextos são usados pela comunidade, seja numa festa ou num ritual interno.

Leitura - A metodologia adotada pela mãe da tradição é anotar, observar, costurar, cortar, desenhar, escrever, cantar e falar, tudo isso no que ela chama de livro livre. “Escreverei tanto os meus pensamentos sobre as práticas, quanto minhas sensações e sentimentos”, descreve.  “Nele posso colar panos, rendas, bordados. Tudo é leitura. O corpo é um grande livro”, acrescenta Sinhá.

A Ekedy revela também que sempre teve interesse em produzir algo em parceria com as pessoas que moram na ilha. “Vim para Itaparica era algo que eu já almejava, firmar os laços com tradição local de culto à ancestralidade. Estou muito feliz e agradecida aos meus orixás que a oportunidade aconteceu nesta residência artística”, conta.

No dia 10 de janeiro, às 16h, no Espaço Cultural de Itaparica acontece um desfile de moda ancestral com as peças elaborada pela Ekede Sinhá em parceria com mulheres da localidade e de Salvador. Após o desfile, acontece um bate-papo para tratar do processo criativo.

A história da Ekedy Sinhá já foi contada no livro “Equede - A Mãe de Todos”, publicado pela editora Barabô, em parceria com a Funceb. Em produção de seu segundo livro, ela relata a emoção que sente. “Sinto-me grata pela oportunidade e a confiança no trabalho que faço, pois ele resguarda o saber ancestral que não é só meu, mas do meu povo”, salienta a Ekedy Sinhá.

SeculBa 
Foto André Cipó

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