A Mulherada traz o brilho das yabás para abertura do Carnaval Ouro Negro

As cores de Oxum, Yemanjá, Yansã e Nanã cobriram o Campo Grande com A Mulherada, na abertura do Carnaval Ouro Negro, na noite desta quinta-feira, dia 28 de fevereiro. Com o tema Mistérios da África: As Orixás Mães e Rainhas, o bloco trouxe para a avenida evocações de paz, mas também a contundência do empoderamento de mulheres negras do Centro Histórico de Salvador. Através da celebração da ancestralidade, as 500 integrantes fizeram música e dança como forma de enfrentar a violência contra as mulheres. 

A Mulherada entrou no Circuito Osmar com pernas de pau, ginastas, dançarinas e percussionistas, lembrando as diferentes características das divindades homenageadas, mas também que mulheres são múltiplas e podem ocupar diferentes postos. “Decidimos homenagear as orixás que representam a nossa ancestralidade e o nosso pedido de paz, tão necessária neste momento”, compartilha Marilda Nascimento, presidente do bloco.

Contemplada no Edital Ouro Negro, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), A Mulherada une seu carnaval a uma série de atividades formativas que ampliam os horizontes de mulheres que vivem no Centro Histórico de Salvador. “Esta é uma parceria importante para dar visibilidade ao nosso trabalho e ao enfrentamento à violência contra a mulher durante o Carnaval, bem como a nossa busca por empoderamento”, revela a presidente. 

Uma das potências do grupo é a ala das percussionistas, campo quase sempre dominado por homens, mas que na Mulherada é essencialmente feminina, “para lembrar que mulheres podem estar onde quiserem e fazer o que desejarem”, acrescenta Marilda. O bloco alcança a maioridade, completando neste Carnaval 18 anos pautando o empoderamento feminino.

“’Tocar pode, bater não’ é um slogan para a gente. Para nós, é fundamental também trazer para rua uma música anti-baixaria e combater a violência”, conta Paula Érica, diretora administrativa do bloco A Mulherada. 

Crescida no Pelourinho, Jedjane Mirtes é hoje coordenadora artística da Mulherada e se aproximou do bloco numa palestra que assistiu, ainda bastante jovem. Aos poucos ingressou nas alas de dança e foi coroada Rainha do Malê Debalê, em 2014. Esta experiência garantiu que pudesse criar alas de destaque e mais arte para os desfiles da Mulherada. “Eu entrei na Mulherada com encantamento e ali surgiu a oportunidade para dançar, para fazer minha arte e colaborar no bloco” conta. 

Feminismo: o ano inteiro – Sediado na Rua do Tesouro, no Centro Histórico, o bloco oferece uma série de cursos de línguas, gratuitamente, para mulheres que vivem no Centro Histórico, ampliando as possibilidades profissionais e culturais de muitas das participantes, que podem aprender o Inglês e o Espanhol. Uma parceira importante foi firmada com a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas – RENFA, na qual é desenvolvido um trabalho dentro da região com mulheres usuárias de droga, numa perspectiva feminista. “Este trabalho promove um resgate e relocalização das mulheres participantes no mundo e em seus territórios. Toda ação é focada em refletir sobre cultura e ancestralidade”, afirma Amanda Cunha, militante da RENFA e foliã  do bloco A Mulherada. 

E tem mais Ouro Negro

Outro momento de protagonismo feminino no Carnaval Ouro Negro é o desfile do Bloco Didá, que em 2019 completa 25 anos exaltando o poder da mulher. Na ala de canto, na percussão e em toda a organização do bloco o destaque é o talento das mulheres. Ao longo do ano, a Didá realiza uma série de ações voltadas à proteção das mulheres, especialmente dos moradores do Centro Histórico de Salvador, onde o bloco foi criado pelo Mestre Neguinho do Samba. A Didá desfila no sábado, 02/03, e na segunda-feira, 04/03, no Campo Grande (Circuito Osmar), a partir das 11h.  

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!

Por Monica Santana
Foto: Fafá Araújo 

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