'É um show totalmente pra cima, ninguém vai ficar parado': Alceu Valença faz folia em Salvador


Com a versatilidade de quem tem um vasto repertório, fruto de uma longeva carreira e da criatividade que lhe é peculiar, Alceu Valença retorna a Salvador neste fim de semana, para apresentar seu baile de Carnaval. O show do cantor e compositor pernambucano acontece no domingo (3), a partir das 21h, no Porto de Salvador, no encerramento da segunda temporada do projeto “Saulo, Som e Sol”. 

No repertório do “Carnavalença”, um mix de sucessos, a exemplo de “Anunciação”, “Tropicana”, “Belle de Jour” e “Táxi Lunar”, frevos carnavalescos como “Bicho Maluco Beleza”, "Diabo Louro", "Bom Demais", "Olinda Quero Cantar" e "Voltei Recife", e ainda músicas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. “É um show totalmente pra cima, ninguém vai ficar parado”, garante o músico, que está sempre se reinventando ao longo dos anos. “Tenho diversos tipos diferentes de shows. Tenho show de Carnaval, de São João. Tenho show acústico, outro mais pop só com sucessos, as Valencianas com a Orquestra Ouro Preto, o Grande Encontro com Elba Ramalho e Geraldo Azevedo... Não há coisa melhor do que estar no palco. É onde eu me revigoro, palco pra mim é vitamina. É como eu sempre digo: o tempo não tem tempo. O tempo é tríplice, presente, passado e futuro se misturam o tempo todo em nossas vidas. Então, a minha maneira de lidar com o tempo é fazer arte, escrever muito, inventar novas maneiras de estar no palco e cantar para as pessoas”, destaca. 

Escalado para integrar a programação do projeto capitaneado por Saulo, Alceu não esconde sua admiração pelo anfitrião. “Fico honrado pelo convite do Saulo, um dos ótimos talentos da atual música da Bahia. Será um evento belíssimo”, promete o pernambucano, ressaltando ser uma satisfação cantar em Salvador. “Sou muito bem recebido pelo público baiano e tenho um carinho enorme pela cidade de amigos como Walter Queiroz e Nonato Freire. Algumas de minhas canções citam a Bahia, como o frevo-canção ‘Pirata José’ (será que ele vem de Holanda / quem sabe de São Salvador?) ou ‘No Tempo em que me querias’, em que rimo Bahia com o utopias. A Bahia de Jorge Amado, a quem homenageio em ‘Chuva de Cajus’ (pastores da noite / meu São Jorge Amado / livrai-me do ódio dos abandonados)”, diz o artista, cuja trajetória está cheia de encontros, físicos ou não, com a cultura baiana. “Sabia que Jorge chegou a escrever o texto de apresentação para a imprensa do meu disco Estação da Luz (1983)? Sabia que recito inteiro de cabeça o Navio Negreiro de Castro Alves? O Brasil precisa valorizar seus pensadores e seus verdadeiros artistas. Assim como o meu Pernambuco, a Bahia sempre foi pródiga em criadores em todos os segmentos”, defende Alceu. 

Apesar da crise que atingiu a folia baiana nos últimos anos, o músico demonstra otimismo quanto à força desta manifestação cultural no Brasil. “Pernambuco e Bahia são duas superpotências do Carnaval. Junto com o Rio de Janeiro, são os locais onde possivelmente o Carnaval melhor expressa sua identidade. Em qualquer lugar do mundo, Carnaval é samba, é frevo, maracatu, afoxé... Gêneros desenvolvidos nesses estados e que constituem a trilha sonora mais essencial do Carnaval brasileiro. É claro que a indústria potencializou outras manifestações, mas a essência não muda”, afirma Alceu Valença. “Se você andar pelo estado de Pernambuco verá expressões populares como os caboclos de lança do maracatu rural na zona da mata ou Papangus no agreste, tomarem as ruas de uma maneira totalmente natural, é um traço de identidade fortíssimo. Minha música de alguma maneira reflete essas manifestações tão características do carnaval pernambucano”, explica.

Abraçado nas tradições, mas sempre aberto à renovação, Alceu conta que está preparando um novo show para teatro, com estreia para o segundo semestre deste ano. “O repertório terá músicas que dialogam com outros segmentos das artes. O Brasil precisa voltar a valorizar a arte e o pensamento e nós artistas temos um papel importante nisso”, defende. O músico conta ainda que neste momento estão sendo produzidos dois documentários sobre ele, um dirigido por Paola Vieira, outro pelos cineastas pernambucanos Claudio Assis e Lírio Ferreira.

SERVIÇO
O QUÊ: Alceu Valença – Saulo, Som e Sol
QUANDO: Domingo, 3 de fevereiro, às 21h
ONDE: Porto de Salvador – Salvador (BA)
VALOR: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)


por Jamile Amine

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