SALVADOR RECEBE MUSICAL EM HOMENAGEM A ARIANO SUASSUNA


{TEATRO} 'Suassuna – O Auto do Reino do Sol', da companhia carioca Barca dos Corações Partidos (Premiada por ‘Auê’, ‘Gonzagão – A Lenda’ e ‘Ópera do Malandro’), fica em cartaz apenas nos dias 18 e 19 de outubro, na sala principal do Teatro Castro Alves. O musical já tem 20 indicações nos Prêmios Cesgranrio e Reverência. Ariano Suassuna foi defensor incansável da brasilidade, representante assíduo da cultura nordestina e é reconhecido por sua habilidade em mesclar a arte popular com o universo erudito. Completaria 90 anos em 2017, fato que motivou a montagem musical em sua homenagem com canções inéditas de Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho.

“Surgiu a ideia de uma grande homenagem ao palhaço de Ariano e assim foi sendo criada esta peça inédita, com músicas e texto originais, mas totalmente inspirada no legado dele”, resume Andrea Alves, idealizadora e produtora do musical, ao contar um pouco sobre como surgiu a ideia desta montagem, em conversas com o próprio Ariano Suassuna, que se confessava um palhaço frustrado e que elegeu o palhaço de “O Auto da Compadecida” como um dos seus personagens prediletos.

Na história dessa peça, o picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (“O Auto da Compadecida”) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia. A trama é centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo.

SERVIÇO

O QUÊ? Suassuna – O Auto do Reino do Sol
QUANDO? 28 e 29.10.2017 (Sábado e domingo), às 21h e 19h.
ONDE? Sala Principal do Teatro Castro Alves
Classificação: 12 anos. Adequado para crianças.
Ingressos à venda aqui, na bilheteria do Teatro Castro Alves ou nos SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista. 2º LOTE – a partir de 9 de outubro | R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia), das filas A a P | R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), das filas Q a Z3 | R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), das filas Z4 a Z8 | R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), das filas Z9 a Z11.

Confirme sua presença no evento do Facebook.


FICHA TÉCNICA

Texto: Bráulio Tavares
Música: Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho
Idealização e Direção de Produção: Andrea Alves
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Beto Lemos, Fábio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros.
Atriz convidada: Rebeca Jamir
Artistas convidados: Chris Mourão e Pedro Aune
Cenografia: Sérgio Marimba
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Kika Lopes e Heloisa Stockler
Design de som: Gabriel D’Angelo
Assistente de direção: Vanessa Garcia
Coordenação de Produção: Leila Maria Moreno
Produção Executiva: Rafael Lydio

A MONTAGEM

‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’ é um espetáculo para toda a família, que traz na essência uma série de características de seu grande homenageado. Ariano Suassuna (1927- 2014) – que completaria 90 anos na semana de estreia da montagem – defendeu incansavelmente a brasilidade e a valorização da cultura nacional, ao mesclar a arte popular e o universo erudito em todas as suas obras. Idealizadora deste tributo ao escritor paraibano, a produtora Andrea Alves, da Sarau Agência, lançou o desafio para a Cia. Barca dos Corações Partidos e convidou três ilustres conterrâneos de Ariano para criar algo totalmente inédito, inspirado em seu legado e desenvolvido em um processo coletivo. Desta forma, nasceu o musical, que estreiou dia 15 de junho no Teatro Riachuelo (RJ), com canções de Chico César, encenação de Luís Carlos Vasconcellos e texto de Bráulio Tavares.

O texto e as canções do musical foram produzidos ao longo do processo de ensaios, que começou ainda no ano passado, quando o elenco fez uma série de oficinas circenses e também excursionou pelo Nordeste brasileiro no que foi chamado de Circuito Ariano Suassuna. Neste período, Bráulio Tavares idealizou a história central da montagem, centrada em uma trupe de circo-teatro e nos acontecimentos de uma noite de apresentação do grupo. O picadeiro de um circo é o cenário perfeito para aparecerem personagens de Ariano, como João Grilo e Chicó (‘O Auto da Compadecida’) e outros conhecidos tipos da Literatura Clássica, além de servir como pano de fundo para as histórias dos integrantes da companhia fictícia.
O projeto sempre quis falar de Ariano sem, no entanto, apresentar um espetáculo biográfico ou mesmo uma adaptação de suas obras. ‘Quando entrei na história, já estava decidido que não seria um espetáculo Armorial e que teríamos a liberdade de subverter, de trazer o Ariano de outras formas. A criação foi toda impregnada de Ariano, de seus personagens e de seu universo, relata Luís Carlos Vasconcellos, que trouxe toda a sua imensa bagagem como palhaço para o processo. ‘É uma homenagem ao Ariano palhaço. O público é guiado por uma espécie de Palhaço Mestre de Cerimônias, como era habitual em seu teatro’, diz.

A parte musical seguiu pelo mesmo caminho. Os textos poéticos e as letras das músicas usam as formas tradicionais de poesia popular que foram cultivadas por Ariano, como a sextilha, a décima, o martelo e o galope. Chico César mostrava as melodias e algumas letras surgiam de improviso, outras cabiam exatamente em alguns trechos do texto. A maioria das letras ficou a cargo de Braulio Tavares, mas também muitas canções são de Beto Lemos e Alfredo Del Penho (que dividem a Direção Musical com Chico) e de outros integrantes da companhia, como Ádren Alves e Renato Luciano. ‘Contaminação foi a palavra que define todo este projeto. As melodias foram contaminadas pelas letras e vice-versa. Criamos algo novo, mas totalmente contaminado por Ariano’, analisa Chico, a quem o escritor chegou a dedicar um livro de poesias.

SINOPSE

Sertão da Paraíba. Época: mais ou menos atual, mas sem menção ao resto do Brasil, nem às tecnologias modernas. Um Circo-Teatro viaja pelo Sertão, parando em cada cidade e distrito para uma noitada. O Circo pertence a Mademoiselle Sultana, astróloga, bailarina, clarividente, consultora tântrica e micro-empresária. A principal atração do Circo é o seu grupo de jovens atores e artistas: são eles Mosquito, Chico de Rosa, Escaramuça, Poeta León e Cabantõe. Além dos números habituais de malabarismo, etc., eles encenam quadros, esquetes e entremezes de grande sucesso junto ao público do Sertão. Cantam músicas, sozinhos ou em grupo, recitam, fazem números de gracejo ou de habilidades.

Eles se dirigem agora a Taperoá, na Paraíba, onde devem encenar um espetáculo nas festividades em homenagem ao “poeta Ariano Suassuna”. Na estrada, eles cruzam com bandos de retirantes. Ficam sabendo que além de estar havendo uma seca braba na região, duas famílias tradicionais estão em pé de guerra uma contra a outra, e todo dia tem tiroteio em algum lugar dali. De um lado, há a família Fortunato, de criadores de gado, e do outro o Major Antonio Moraes, o implacável comerciante de minérios que aparece no “Auto da Comparecida” e que é o vilão principal no “Romance da Pedra do Reino” e em “As Infâncias de Quaderna”.

A viagem vai mostrando os ensaios dos entremezes que a trupe está montando. Neles aparecem cenas entre Dom Quixote e Sancho Pança, ou entre duplas de palhaços, fazendo de vez em quando uma menção aos perigos que correm. Nas estradas, aumenta o número de retirantes que estão indo para um lugar que eles chamam O Soturno. A trupe vive muitas aventuras, até chegar em Taperoá, onde finalmente encena a grande homenagem.

Fotos | Annelize Tozetto e Marcelo Rodolfo.


Redação | Culturasss

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial