{Persona} JÉSSICA ALMEIDA, PUBLICITÁRIA, MÃE, MULHER E PRETA

{PERSONA} A coluna de personalidades do Culturasss traz o perfil da baiana Jéssica Almeida (30 anos). Publicitária, mãe do pequeno João, mulher e preta, ela atua como redatora há 15 anos com passagem por agências na capital e interior da Bahia. Atualmente, dedica-se à sua cadeira de diretora de criação da Artecapital, uma das maiores agências da cena da propaganda do interior baiano. Pós-graduanda em Estudos Culturais, Jéssica se atirou como escritora do perfil criado por ela no Instagram de nome Letras Pretas, projeto onde busca fortalecer a escrita feminina, através da ótica da mulher negra. Suas produções encantam suas seguidoras, como fez com a nossa equipe.

A próxima atuação dela fora do mundo virtual será na abertura da Quinta dos Bossais, projeto de música brasileira com atividades formatiivas e artes integradas do Coletivo Culturasss. Na próxima quinta-feira (19), Jéssica Almeida vai mediar a Roda de Conversa PROTAGONISMO FEMININO antes do show da banda Baiana Bossa. Por essas e outras, escolhemos Jéssica para inaugurar nossa coluna.

CULTURASSS - Como surgiu e o que pretende o projeto Letras Pretas?
"Desde criança a leitura sempre foi algo estimulado em casa, com minha mãe e meus irmãos. Aos 12 conheci Carlos Drummond de Andrade e me apaixonei pela sua poesia realista, popular e objetiva. Decidi então que era isso que queria ser, uma escritora. Mas com o tempo, esse sonho foi dando espaço a outros como arrumar um emprego e pagar as contas. Virei redatora publicitária, mas nas horas vagas escrevia alguns contos, peças, poesias e muitas delas falavam sobre as minhas vivências e visão de mundo. Aos poucos, vi o quanto era importante me dedicar mais a essa perspectiva literária, enquanto mulher negra. Conheci outras autoras negras como Jarid Arraes, Chimamanda Ngozi, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Carolina de Jesus (e muitas outras escritoras que longe de mim fazer um comparativo) e vi o quanto temos a contar pro mundo sobre a nossa ótica. São vozes que precisam ser lidas, histórias que precisam ser ouvidas depois de tanta invisibilidade social.  Então, comecei pelo que me familiarizava mais: a poesia. Um estilo concreto e direto, os textos seguem uma linha que passeia pelo haikai e versos mais fluidos. A ideia, além de publicar (não seria esse o sonho de todo escritor(a)?), é também criar uma oficina, um projeto onde as jovens meninas se expressem através da poesia, usando a arte como um instrumento de autoconhecimento e autoestima".

CULTURASSS - Como você avalia o nível de protagonismo feminino na propaganda do Brasil da atualidade?
"Muito se avançou. Mas ainda temos muito para caminhar. Eu acredito que a presença das mulheres dentro das criações de grandes agências do país, associado com o discurso constante de igualdade de gênero e o avanço dos direitos das mulheres, mudou sim o discurso da propaganda. E quanto mais mulheres ocupam esses espaços, podemos ver esses avanços ainda mais forte. Mas como disse, ainda falta muito. Precisamos ir além da igualdade salarial, mas também da quebra de estereótipos que se perpetuam na linguagem social e avança para a publicidade. Especialmente na propaganda, precisamos de mais mulheres correndo nas propagandas de tênis e menos mulheres preparando o café da manhã da família feliz. Mais homens cuidando das crianças e vendendo xarope, mais mulheres comprando carros. A publicidade tem esse compromisso, não só direcionar o consumo e criar desejos, mas de remoldar conceitos e reavaliar os papeis de gênero (impostos pelo patriarcado) e permitir novas possibilidades para a sociedade".

Conheça aqui, algumas produções literárias do perfil @letraspretas.





Redação | Culturasss

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